terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Terra Sonâmbula

-Estes arderam bem. Veja como todos ficaram pequenos. Parece o fogo gosta de nos ver crianças.

Primeiro livro que li do moçambicano Mia Couto, Terra Sonâmbula é um sonho que acontece num país que acabou de sair da guerra, mas que ainda não encontrou a paz. Os capítulos do livro contam a história do velho Tuahir e do miúdo Muidinga a procura de um refúgio.

Entre os capítulos, são lidos os diários de Kindzu, que Muidinga encontra num carro incendiado. Kindzu conta sua vida em uma pequena vila e sua saída, depois da morte de seu pai, em busca de um grupo de pessoas que possa trazer justiça. Ele é atormentado por seu pai através de sonhos e encontra fantasmas reais da guerra e da colônia, seja uma mãe a procura do filho bastardo, seja a corrupção que desvia mantimentos, seja a maneira com são tratados os estrangeiros, sendo Kindzu considerado um deles em vários momentos.

Mia Couto mantém uma escrita suave. Mesmo assim, depois que as linhas são lidas, tudo se torna brutal. Não é um livro difícil de se ler (há um glossário para termos moçambicanos, aliás), principalmente pra quem é insensível. Se não for o seu caso, será um livro apaixonante, emocionante e, principalmente, duro.

2 comentários:

Samael disse...

Alexandre, já faz um bom tempo que estou me enrolando pra ler algumas coisas do Mia Couto, mas depois de ter lido o teu post decidi-me a ler algo ainda hoje.
Obrigado pela dica.
Abraço.
Silvio Somer.

fernanda f. disse...

Quando eu li Terra Sonâmbula, fiquei muito encantada, talvez pela atmosfera fantástica que permeia os cadernos de Kindzu, assim como também está presente na suposta "realidade" atravessada por Muindinga e o seu tio. Acho que a sua análise foi meio rasa, Lemke, porque não conseguiu captar essa atmosfera curiosa que envolve as duas histórias e faz com que as suas personagens se relacionem intimamente, apesar de fazerem - e, ao mesmo tempo, não fazerem - parte da mesma realidade.

(Na real, achei que a sua resenha parece bastante com uma resenha de revista, ou algo assim. Talvez tenha sido sua intenção...)

Mas o livro é muito foda, mesmo!