segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Medo de escrever

Muita gente me pergunta por que estou escrevendo tão pouco. A verdade é que não escrevo tanto quanto pensam. Imagino muito, é claro. Tenho histórias inteiras na cabeça (tão inteiras quanto um queijo suíço), mas tenho uma dificuldade incrível de colocar tudo no papel.

Papel mesmo. Meu primeiro caderno, que iniciei ano passado, quando comecei o blog, acabou se perdendo. O atual, um moleskine preto que arranjei esse ano, tem bem menos páginas do que eu gostaria. Aqui – no caderno – eu tenho algumas ideias fantásticas: tiradas, frases de efeito, poemas incompletos, uma estrutura prum romance, ideias de contos e mais umas coisas. Mas mesmo assim, parece impossível desenvolver tudo isso.

Não que eu ache que o caderno vá me devorar, que as letras vão perfurar meu peito ou que os pontos vão me finalizar. Isso seria estúpido. Meu medo é que o caderno ria de mim, que as letras tenham vergonha alheia ou que os pontos apontem para mim. Cara, isso é foda! Imagina! Um metido a escritor de merda que nem eu se dando ao luxo – ao direito – de escrever neste belo caderno! Guri mais abusado!

Sabe, lembrando bem agora, eu tenho esse problema desde criança. Quando tava na primeiras séries, não escrevia absolutamente nada nas aulas de redação. Só encarava a folha e quando tinha alguma ideia, já matava ela antes que eu pudesse cometer o escrito. Minha professora, claro, não ia muito com minha cara por causa disso (pra piorar, ela era minha dor-de-cotovelo da infância).Vai ver é isso, né? A ansiedade de agradar a professora, que vai ler tudo, mata minha criatividade.

sábado, 29 de agosto de 2009

Entendendo a própria letra

Está no meu caderninho:

Sonho: casal de velhinos (não simpáticos nem necessariamente adoráveis um com o outro), velha diz "lembra que eu te amo", velho responde "lembro não. quando boas coisas acontecem, coisas acontecem." Corta para um flashback do dois jogando algo como um caça-níqueis um do lado do outro antes de se conhecerem. Ambos ganham e, no embálo, se casam, ele com aparência "avoada", sem saber o que acontece ao redor dele.

Devia ser uma ideia muito boa! Se eu me entendesse daria um ótimo contista.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

A vida imita os Simpsons

É bem conhecido de qualquer um que se aventure pelo mundo do desenho animado para adultos que é praticamente impossível ter uma idéia que já não tenha sido usada nos Simpsons. Não é pra menos, lançada em 89, a série atravessa 20 temporadas de sucesso e quase esgota as possibilidades criativas dos roteiristas de outros programas.

South Park já teve um episódio chamado "The Simpsons did it", onde toda tentativa de um dos personagens de se vingar já tinha sido usada na série da família amarela. Por outro lado, os roteiristas de Family Guy (Uma Família da Pesada) são constantementes acusados de plágio, as vezes com razão, as vezes de forma forçada.

Se você acompanha a série, deve se lembrar do episódio Wild Barts Can't Be Broken (não pelo nome, claro), onde é instaurado, em Springfield, um toque de recolher para as crianças.

Fernando Antônio Lima, juiz da Vara da Infância e da Juventude do municipio paulista de Ilha Solteira também viu esse episodio, e achou uma grande idéia.

sábado, 21 de março de 2009

Maldito Camus

Então, sabe quando você lê O Estrangeito, do Albert Camus, e descobre que seus dois únicos rascunhos em prosa que você poderia levar apara algum lugar não são tãaaaaaaaaaaao originais assim?

Tô nessa fase.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Terra Sonâmbula

-Estes arderam bem. Veja como todos ficaram pequenos. Parece o fogo gosta de nos ver crianças.

Primeiro livro que li do moçambicano Mia Couto, Terra Sonâmbula é um sonho que acontece num país que acabou de sair da guerra, mas que ainda não encontrou a paz. Os capítulos do livro contam a história do velho Tuahir e do miúdo Muidinga a procura de um refúgio.

Entre os capítulos, são lidos os diários de Kindzu, que Muidinga encontra num carro incendiado. Kindzu conta sua vida em uma pequena vila e sua saída, depois da morte de seu pai, em busca de um grupo de pessoas que possa trazer justiça. Ele é atormentado por seu pai através de sonhos e encontra fantasmas reais da guerra e da colônia, seja uma mãe a procura do filho bastardo, seja a corrupção que desvia mantimentos, seja a maneira com são tratados os estrangeiros, sendo Kindzu considerado um deles em vários momentos.

Mia Couto mantém uma escrita suave. Mesmo assim, depois que as linhas são lidas, tudo se torna brutal. Não é um livro difícil de se ler (há um glossário para termos moçambicanos, aliás), principalmente pra quem é insensível. Se não for o seu caso, será um livro apaixonante, emocionante e, principalmente, duro.

Cascanéias erótica

entre bikinis e calções
peles e tecidos adiposos
gente bonita seminua
vestida ela atravessa a paisagem
e ganha minha atenção

(hummm bata e calça jeans...)

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Reforma Ortográfica

Para aqueles que tanto criticaram a Reforma Ortográfica, que falaram que é feia, que empobrece a língua e que vai acabar com o português, que falaram dos horrores do fim do trama, da ideia e do micro-ondas, eu tenho uma pergunta:

Doeu?