Quinta-feira, 23 de Abril de 2009

A vida imita os Simpsons

É bem conhecido de qualquer um que se aventure pelo mundo do desenho animado para adultos que é praticamente impossível ter uma idéia que já não tenha sido usada nos Simpsons. Não é pra menos, lançada em 89, a série atravessa 20 temporadas de sucesso e quase esgota as possibilidades criativas dos roteiristas de outros programas.

South Park já teve um episódio chamado "The Simpsons did it", onde toda tentativa de um dos personagens de se vingar já tinha sido usada na série da família amarela. Por outro lado, os roteiristas de Family Guy (Uma Família da Pesada) são constantementes acusados de plágio, as vezes com razão, as vezes de forma forçada.

Se você acompanha a série, deve se lembrar do episódio Wild Barts Can't Be Broken (não pelo nome, claro), onde é instaurado, em Springfield, um toque de recolher para as crianças.

Fernando Antônio Lima, juiz da Vara da Infância e da Juventude do municipio paulista de Ilha Solteira também viu esse episodio, e achou uma grande idéia.

Sábado, 21 de Março de 2009

Maldito Camus

Então, sabe quando você lê O Estrangeito, do Albert Camus, e descobre que seus dois únicos rascunhos em prosa que você poderia levar apara algum lugar não são tãaaaaaaaaaaao originais assim?

Tô nessa fase.

Terça-feira, 10 de Fevereiro de 2009

Terra Sonâmbula

-Estes arderam bem. Veja como todos ficaram pequenos. Parece o fogo gosta de nos ver crianças.

Primeiro livro que li do moçambicano Mia Couto, Terra Sonâmbula é um sonho que acontece num país que acabou de sair da guerra, mas que ainda não encontrou a paz. Os capítulos do livro contam a história do velho Tuahir e do miúdo Muidinga a procura de um refúgio.

Entre os capítulos, são lidos os diários de Kindzu, que Muidinga encontra num carro incendiado. Kindzu conta sua vida em uma pequena vila e sua saída, depois da morte de seu pai, em busca de um grupo de pessoas que possa trazer justiça. Ele é atormentado por seu pai através de sonhos e encontra fantasmas reais da guerra e da colônia, seja uma mãe a procura do filho bastardo, seja a corrupção que desvia mantimentos, seja a maneira com são tratados os estrangeiros, sendo Kindzu considerado um deles em vários momentos.

Mia Couto mantém uma escrita suave. Mesmo assim, depois que as linhas são lidas, tudo se torna brutal. Não é um livro difícil de se ler (há um glossário para termos moçambicanos, aliás), principalmente pra quem é insensível. Se não for o seu caso, será um livro apaixonante, emocionante e, principalmente, duro.

Cascanéias erótica

entre bikinis e calções
peles e tecidos adiposos
gente bonita seminua
vestida ela atravessa a paisagem
e ganha minha atenção

(hummm bata e calça jeans...)

Quinta-feira, 8 de Janeiro de 2009

Reforma Ortográfica

Para aqueles que tanto criticaram a Reforma Ortográfica, que falaram que é feia, que empobrece a língua e que vai acabar com o português, que falaram dos horrores do fim do trama, da ideia e do micro-ondas, eu tenho uma pergunta:

Doeu?

Sábado, 20 de Dezembro de 2008

Recuperando-me

Nos últimos quatro anos, passei por um processo de emburrecimento: um longo período de cursinho com um semestre de faculdade no meio.

Pode parecer estranho, mas é verdade. Antes do terceirão, eu lia algo em torno de 12 livros por ano (sem contar contos soltos e histórias em quadrinhos periódicas). A partir daquele ano, caí brutalmente pra algo como quatro ou cinco.

Ler muito é uma questão de liberdade e falta de compromisso. Eu pagava o livro que queria e se gostava continuava. Se não gostava pegava outro. O que importava era ler constantemente.

Mas o vestibular muda tudo. O título ganha importância. Então o processo de leitura tem que ser específico. Se não gostasse de um livro eu teria que lê-lo. E de fato o fazia, mas de forma leeeenta. Os livros que estavam fora da lista não mais me interessavam (até porque eu tinha estudar). Só um ou outro nas férias.

Mas agora tudo mudou: Se tudo der certo, não tenho mais cursinho. E as primeiras férias de fim de ano de verdade que tenho há tempos são a oportunidade de recuperar o tempo perdido. Agora eu voltei a ter uma pilha de livros para ler!:


















Crônica de uma morte anunciada, Gabriel García Márquez
As Trevas, Lord Byron
Terra Sonâmbula, Mia Couto
Neuromancer, William Gibson
Esperando Godot, Samuel Beckett
O Estrangeiro, Albert Camus
Eu hei-de amar uma pedra, António Lobo Antunes
Crônica da Casa Assassinada, Lúcio Cardoso
Cem Anos de Solidão, Gabriel García Márquez
Um Espaço para a Ciência, Simon Schwatzman

Crônica lí essa noite, achei fantástico. As Trevas eu já iniciei. Eu hei-de amar uma pedra eu comecei mas tive que abandonar. O mesmo aconteceu com Neuromancer, mas esse eu já li na adolescência.

Minha lista está aberta à sugestões, inclusive estou pensando em tirar Cem Anos, para manter uma lista mais diversa. Talvez coloque O Inquisidor, do Valerio Evangelisti. Se você tem algum comentário sobre algum livro, ou alguma dica, pode mandar.

Ah!, e fica o agradecimento ao João Bosco, que me presenteou com Esperando Godot.

Sexta-feira, 21 de Novembro de 2008

Violino Árabe

Para tirar o blog do jejum, vou postas aqui algumas coisas que descobri na minha jornada pela música árabe.

Jihad Akel جهاد عقل

Começando pelo mais pop e mais jovem, eu gostaria de escrever algum parágrafo sobre ele, mas como eu não falo árabe e não tem quase nada sobre ele em inglês, fica difícil.

Minha gravação favorita:



Ao vivo, na Praça dos Mártires, em Beirute, Matrahak Bi Albi, uma antiga canção árabe, que por algum motivo me parece conhecida de algum animê:



Saleh Al-Kuwaiti (1908 - 1986) صالح الكويتي

Judeu, nascido no Kuwait, mas criado no Iraque, vivei seus tempos de glória tocando em Baghdad, central cultural do mundo árabe, e conquistando a realeza do país. Entrou em declínio quando se mudou para Israel. Lá, foi "abandonado", já que era culturalmente árabe (sem nunca ter deixado de ser judeu). Tocou na Voz de Israel no programa árabe, e continuou a fazer sucesso no Iraque, além de na comunidade árabe-israelense. Suas músicas ainda são tocadas no pela península, mesmo que, por razões políticas, omitam os créditos.





Mohammed Abdel Wahab (1907 - 1991) محمد عبد الوهاب

Nascido no Egito, foi ator, cantor, tocador de oud e compositor. É considerado um dos Cinco Grandes da música árabe (junto com Umm Kalthoum, Farid Al Attrach, Fayrouz, Abdel Halim Hafez)

Não sei o nome da música. Rearranjo e interpretação por Ahmad Al-Jawadi:



Qays e Layla. Rearranjo e interpretação por Ahmad Al-Jawadi:



Bonus Track

Marcel Khalife, que só é bônus porque não toca violino:



Ana Paula dançando Muhammad Abdel Wahab. Para quem, como eu, não agüenta mais a falta de senso estético nos vídeos árabes: