sexta-feira, 10 de outubro de 2008

A Festa da Constituição

Muitos se esqueceram, mas nesse domingo também se comemorou os 20 anos de nossa constituição, também conhecida como Constituição Cidadã, porque nos garante os direitos mais básicos para a vida digna e a cidadania.

Em um post de 7 de setembro, falei que tal data não significava nada pra mim, agora chegou a hora de explicar. A data "celebra" nossa independência estrutural com Portugal, mas não nos trás nenhum valor. Não houve uma luta ideológica de Liberdade, ou Progresso, ou Cidadania, ou coisa que valha. O feriado representa um vácuo na nossa identidade. Nós saíamos às ruas para comemorar uma ação da elite, nada que tenha a ver conosco como povo.

Os militares ainda nos fizeram o favor de militarizar a parada, o que enterrou qualquer tentativa de justificação ideológica do dia. Íamos ver o Exército, algumas crianças lá obrigadas, e voltávamos pra casa com nosso espírito patriótico inflado com... com o que? "Espírito patriótico" é um termo muito bonitinho, muito fofinho, muito gracinha, mas é foda levar a sério se não houver nada maior por trás.

No dia 05 de outubro de 1988 nossa nação foi realmente inaugurada com valores. Agora temos como base do nosso país a defesa da democracia, da paz, dos direitos humanos, da liberdade de expressão e tantos outros direitos e deveres que agora nos abençoam. Nem todos esses direitos são garantidos na prática, nós sabemos disto. Mas desrespeitá-los-los é uma quebra da lei e dos valores do país, é um ato contra o povo e contra a pátria.

A Constituição, não a Independência, constrói nossa imagem. É no dia 05 que devemos comemorar e inflar nosso espírito patriótico. E logo no dia 05 dos vinte anos do texto houve uma eleição. Não há parada que supere tamanho gosto.

sábado, 4 de outubro de 2008

A influência de Laibach na música pop eslovena

Ou "O que Zizek tem em seu iPod"

Aqui vai uma pequena amostra de como Laibach influenciou a música pop Eslovena, tendo como exemplo Atomik Harmonika, uma banda de polka.



Percebam aqui como utilizam valores da cultura eslovena em contextos alterados, dando a idéia de ridículo. A música passa a ser valor secundário, e a mensagem passa a ser valor primário, sobrepondo a qualquer conceito ou estética da cultura regional. Os "hey hey" em coral e a dança ensaiada são demonstrações do coletivismo.



Agora, além de Laibach, há também a influência do filme Laranja Mecânica, para mostrar a acensão do uso de cocaína no país. Da banda industrial, há o uso de ícones miliares: o soldado bobão paspalhão não consegue mais atrair a juventude eslovena, sendo trocado pelo traficante de cocaína. Percebam na parte final como traficante controla a juventude, dizendo o que ela tem que dizer. É a troca do coletivismo militar pelo coletivismo cocainômano.



No show podemos ver a influência da estética ao vivo de Laibach, com garotas gostosas em trajes militares não fazendo nada de musicalmente relevante, participando apenas da parte visual do show.

Interessante notar como, mesmo que sutilmente, o underground tem poder de influenciar o pop. O que Zizek diria disso?